quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bocas

"Se Deus nos fez a boca para beijar
E se Deus fez a minha só para a sua
Diz-me, que contas d'as a Ele
Se passas por mim e me sorri
Mas, numa timidez, nunca me beijas?

Que contas das ao mundo que espera
Ansioso por nosso caso
Tão amplamente esperado
Se passas por mim e nada faz?

Pois nada há,
Que eu ainda te pego pelos braços
E te levo para um canto, te cerco na parede
E te dou o gosto que tanto queremos

E te vicio no sabor, na frescura
Dos meus beijos
Minha boca há de levar-te as alturas
E tuas contas com Deus há de acertar!"

Lucca R. DiAngello

domingo, 8 de maio de 2011

O Mar

"Ah , de que me serve o teu amor vazio
Como concha perdida na areia?
Shh...
Encoste o ouvido e ouça o mar
Em toda a sua amplitude e magnificência

Mas não te enganes, não te deixes levar
Pois o mar também é sozinho
É frio e é triste, é o mar
Onde se perdem almas
Ao acaso das correntes
Aos cantos das sereias

E tu foi minha sereia
Que me carregou até a desgraça
Que me trouxe a fruta envenenada
E me enganou como s'eu fosse criancinha

Mas não me dói o teu desamor mundano
Pois que em outras bocas vou buscando
E, quem sabe, até encontrando
O sabor que me envolverá"

Lucca R. DiAngello

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Lamento

"Tenho a tristeza em cada tom da minha voz
Na cor pálida
E no toque fino da minha pele
Tenho o lamento nas palavras ditas
E também choradas
E a melancolia acorrentada aos meus pés...

E por debaixo dessa casca do meu ser
Escondida em algum fundo sem luz
Está a minha alma, criança ainda
Que canta baixinho, envergonhada
Esperando uma faísca que apontasse a direção

Mas não te aflijas, não temas
Que depois da chuva, da tempestade,
Da ventania e destruição,
Tudo novo e limpinho renasce
E verá renasci nós e meu coração"

Lucca R. DiAngello

domingo, 1 de maio de 2011

Quando Te Encontrei

"Nos passos contados da minha errante caminhada
Dentre buracos e cacos encontrados no chão
Quase cego, nas paredes a tactear
Pulando poças d'água
Procurando por uma sombra tranquila
Que pudesse me acolher e me acalmar a pele
Ardida pelos carinhos do sol arrogante
Nesse mundo que mais me parecia
Um pedaço da minh ilusão

Te encontrei parada
Um manequim de luz e cor e vida
De olhar perdido
Perdido em algum lugar só seu
E então meu olhar encontrou o teu
Num abraço forte e fervoroso
Quase que pecaminoso
E o nosso sangue ferveu

Os meus pés logo encontraram a direção
Como se tu me fosse um imã
Entrei no teu campo gravitacional
Toquei teu rosto
Tua face rosada que me fitava
Com suas duas contas azuis
E sorridente
Um rio de mistério no qual eu me aventurei pular
E pulei!

E foi quando chegou a lua
A confidente de todos os amantes
A senhoria que mantém seguro os quartos e ruelas
Mantendo a sós os dois que se encontram
E se querem um ao outro
Em busca do sabor mais doce e viciante"

Lucca R. DiAngello